quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Roubar (2)

Para roubar cebolas há uma técnica. Para telemóveis outra. Outra ainda para computadores portáteis. Nada pára o primitivo impulso. Tão velho como a humanidade. Nem as técnicas mais sofisticadas de prevenção. De nada servem as câmaras de vigilância. Nada provam. Registaram uma imagem, mas o ângulo não era o mais adequado. Eles sabem-no. Escolhem a hora, o circuito de fuga, o ambiente mais propício. Os seguranças, mal pagos, nada viram.

Encarar os lesados e a sua revolta não é fácil.

Mais um dia... até ao próximo! mais tarde ou mais cedo voltará a acontecer. É tão inevitável com a noite e o dia, um após outro.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Cartaria (Concelho de Pombal) - a arte de roubar cebolas

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Contaram-me hoje. Um casal chega a casa, depois de uma tarde  a trabalhar na agricultura. À porta de casa, um homem desconhecido com um saco, meio escondido atrás nas costas. Cumprimenta o casal:

- Boa tarde!
- Boa tarde, o que é que o senhor quer?
- Queria comprar batatas de semente. Vocês têm para vender?
- Não. Não temos. Também as comprámos. Mas quem é que o mandou cá? Nunca vendemos batatas de semente!
- Mas... o senhor não se chama António Dias?
- Não. O António Dias mora lá ao fundo. É a última casa do lugar.
- Obrigado. Desculpe. Então vou andando.
- Vá homem...  e vá com Deus!

O desconhecido então vira-se de costas e dirige-se para o carro.
A mulher repara que do saco que o homem levava, saiem as pontas das réstias de cebolas que tanto trabalho lhe tinham dado a entrançar.

- Oh homem, "raios me partem", aquelas são as nossas cebolas. Conheço-as muito bem.

Era tarde. O desconhecido já dentro do carro, acelerou ... e ninguém mais o viu.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Ary dos Santos * 7 de Dezembro de 1937 - 18 de Janeiro 1984

Como se fosses noite e me atirasses
Uma corda de músculos e rosas.
Como se fosses noite e me deixasses
Deslumbrado com todas as sombras,
Com todos os silêncios,
Com todos os passeios de mãos dadas com o impossível,
Com todos os minutos,
Os lentos, os belos, os terríveis minutos
Que se escoam com a angústia nas escadas.
Como se fosses noite e acordasses
Todos os olhares furtivos aos bancos vazios,
Todos os passos hesitantes que ninguém segue
Mas que deixam na rua deserta,
Na cidade ausente,
O arabesco triunfal dum arcanjo que passa,
O rasto vitorioso dum condenado que dança,
rindo dos deuses que o julgaram.
Como se fosses noite e arrastasses
O tule hierático e vermelho da cauda de todas as prostitutas
Que desafiam o mistério, roçagando,
A ganga de todos os operários
Que sofrem o mistério, fumando,
O cabeção ingénuo de todos os marujos
Que sonham o mistério, ondulando,
A renda esfarrapada, esvoaçante e preciosa de todos os invertidos
Que inventam o mistério, desesperando,
E a carne, o sangue,
O cheiro a suor e a sono de todos os vadios,
De todos os ladrões que dormem nas esquadras
E têm o mistério, ousando!

Ah! Se tu fosses noite e me atirasses
A um poço de membros e de raiva
Onde plantas carnívoras crescessem
E onde Deus - se existisse - talvez me abrisse os braços!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Curiosidades - Radioactividade

Radioactivity -  Exposure                          (millisievert)  mSv
One Year Luminative Watch                  0,006
One Flight Brussels - USA                    0,02
One Year Watching TV at close range                    0,02
Two weeks on wintersport                    0,03
Food per Year                     0,4
One X-ray of te chest                        1
Natural environment Belgium per year                     1,5
Natural environment Brazil per year                      30
One X-Ray of the mouth                      50
One X-Ray of the entire body                    100
One cancer treatment                  5.000
HIROSHIMA               100.000
Yearly maximum                        5

domingo, 13 de janeiro de 2008

Sumário - Becquerels e sieverts

 

Box

Por mais que eu preferisse a poesia, o teatro, o céu, o sol, as nuvens ... amanhã, lá estarei, bem agarrada à terra, aos manuais e a este tema tão agressivo e agreste.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Nuvens da tarde

      432203[1]

...

                Aquelas nuvens que vemos,
                  Esses poemas aéreos,
                  São os sonhos que nós temos,
                  Nossos intímos mistérios! 
                  São espelhos flutuantes
                  Das nossas dores constantes
                  Aquelas nuvens que vemos...

...

Antero de Quental

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Aeroporto

                   

 

Finalmente fez-se luz. As discussões intermináveis, os ânimos exaltados e os interesses instalados já cansavam.  A tomada de decisão foi dolorosa. Há vencedores e vencidos. A zona centro do país fica agora mais a norte e a margem sul mais ao centro.

Espero que os defensores do Portela +1 não insistam no erro e se calem de vez. A dispersão de estruturas, meios, equipamentos e pessoal iria provocar um aumento de custos a toda a actividade aeroportuária.

Brevemente na agenda política surgirá outro tema fracturante. As agências de comunicação estão atentas e é preciso agitar... para vender. Há sempre quem compre.