segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desassossegando ...

"   Sem mim, o sol nasce e se apaga; sem mim a chuva cai e o vento geme. Não são por mim as estações, nem o curso dos meses, nem a passagem das horas..."

Bernardo Soares - Livro do Desassossego

Tudo começou quando estava a preencher um cheque. Faltaram-lhe os números e já não foi capaz de assinar.  Depois  partiram as palavras. Ficaram os gestos, a revolta, a dor.

Passaram-se meses e meses, sabia o que o fim estava próximo. Agora partiu também. Cedo! Demasiado cedo!

ADeus Primo!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Cada dia é mais evidente que partimos

    Azores 034   



Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ADeus Pai

Revoltava-me quando dizias que querias ir-te embora. Que já era tarde. Que querias ir para  junto da mãe.

Não foi tarde, nem cedo. Foi a tua hora.

Beijinhos. Até ... um dia!

Para ti:

A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

 Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 14 de dezembro de 2008

Os Gigantes da Montanha na Cornucópia (?)

 

E não só na Cornucópia. Eles andam por aí. Tenham medo. São mortíferos. Não amam o Teatro, odeiam a Poesia e não sabem sonhar.

 

Foi uma noite de intervalo. Preciso de aliviar o meu quotidiano mais vezes.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Ainda ... os colegas

Aldo,

Tens razão! Estás zangado ...   "snakes" sem pré-aviso !!!. Era impensável antes. As normas e regulamentos esquecidos. A eficiência é uma questão cultural ... As novas gerações não a aprenderam ... não a praticam. Agora é tarde. Naquelas cabecinhas há pouco espaço.

Quanto aos decisores de outra geração... Ah! esses estão amarrados à política. Às inaugurações com data marcada independentemente das condições no terreno. Nós somos nada. A nossa opinião tantas vezes defendida, não foi ouvida. As consequências estão à vista... mas eles já inauguraram. Agora foram embora e o tecto da casa inacabada está a cair-nos em cima.

Gerhard,

Lamentos atrás de lamentos. Protestas muito. Às vezes tens razão. Eu é que não tenho tempo nem paciência para te responder. Não gosto do teu estilo. Escreves lençóis... recebes em troca - quando recebes - curtas linhas. Há por aí muito "teatro". Pensa um pouco! Olha à tua volta! Não és único! "Les uns et les autres" lembras-te?

Manuel,

Lisboa está debaixo de fogo ... e há um prazer especial aí no Norte em atiçar a fogueira. Vá-lá!  confesse!

Ben,

A melhor decisão ... foste de férias... Miami? ... Espertalhaço!

Bernard,

Cuidado com o coração. Que ele não te pregue outra partida! Tem calma! e toma os comprimidos!

Karel,

Estou a estranhar o teu silêncio! Estás aí, na cinzenta Bruxelas?

Pedro,

Esgotaste-te no Brasil imenso? Já nem comentas?

Ignacio,

Estou a fazer o meu melhor. Juro!  ... Assim toda paletizada tens mais garantias ... vai direitinha a Luanda.

Caro Lord Inglês,

Uma pausa na má língua? ou finalmente o reconhecimento  de que por aí a competência também não abunda ?

Agostinho,

Francamente ! O meu braço direito. Ausente por acidente de trabalho! Logo agora ... Um pouco de gelo na mão não ajudava a aliviar o inchaço?

Américo,

Obrigado pela solidariedade. Não são precisas palavras. Basta o abraço.

Olá Chefe,

Estou cansada... mas sobrevive-se!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Homenagem à colega Mina

Em quase todos os acontecimentos da vida, uma alma generosa vê a possibilidade duma acção de que uma alma comum não tem a mesma ideia. No próprio instante em que a possibilidade dessa acção se torna visível para a alma generosa, é de seu interesse levá-la a cabo. Se não executasse essa acção que acaba de lhe surgir no espírito, desprezar-se-ia a si própria; seria infeliz. Têm-se deveres conforme o alcance do espírito.

Stendhal, in "Do Amor

copiado do Citador

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008