

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos, Sacode as aves que te levam o olhar. Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras. .... Sophia de Mello Breyner
foto tirada daqui :
LOCAL ONDE 'NINO' FOI METRALHADO ATÉ À MORTE COM DEZENAS DE TIROS DE AK-47. FOI IGUALMENTE USADA UMA CATANA, QUE SE PODE VER JUNTO À CADEIRA.
António Aly Silva - Jornalista guineense
Pobre Guiné! Vai sempre às urnas com entusiasmo e esperança num recomeço. E os eleitos atraiçoam tudo e todos. Os militares, sem horizontes, sem regras, sem cultura humanista, envenenados pela droga e pela ganância do lucro fácil, só conhecem o poder das balas e das catanas . E o povo é humilde, amigo da família e dos amigos. Os que por cá estão não esquecem os que ficaram. Os que conheço são emprendedores e não páram nunca de lhes enviar aqueles pequenas nadas que são tudo para quem nada tem.
Oh Portugal! já não tens culpa! Mas tens responsabilidades. Aquele desamparado povo clama por ti! Não basta enviares os boletins de voto ... é preciso "um golpe de asa" que o ajude a libertar-se de vez do sangue espalhado pelas paredes das casas e pelas matas daquela terra ensanguentada.
É demais para uma só família! ... Agora um tio também nos deixou.
Janeiro, Fevereiro e Março ... um por mês! Quando parará a razia?
Vão-se com ele as brincadeiras e as ironias em que era pródigo.
Com tão oportunamente diz a Sophia:
"cada dia é mais evidente que partimos"
Quando partem os nossos um pouco de nós parte também.
ADeus Tio!
Ontem o dia foi animadíssmo. Trouxe-me curiosidades raras, sobretudo porque se juntaram todas num só dia.
-... we have to transport 70 pregnant heifers 550kgs each from Lisboa to Luanda ...
- Para Angola Son 200 vacas 140 menos de 1.50m de alto e otras 1.60 . Pesan mais o menos 300 kg ... Segunda coisa que quero saber e precio por avion de 22 cabras francesas....e 22 ovhelos ...
- ... 15 cavalos para a Terceira ... Sanjoaninas ... e touradas!
- ... 8.000 pintos do dia para o Sal ...
Todos os dias são diferentes mas o dia de ontem primou pela orginalidade...

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Porquê jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Porquê o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Dias há em que o único consolo é fechar os olhos ao real e olhar só para a beleza das palavras.
O Actor
O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor põe e tira a cabeça
de búfalo,
de veado,
de rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
...
Herberto Helder
Pergunta oportunamento o Dragão :
"Onde é que foi parar a riqueza que os ricos deste mundo, tão abnegada e filantropicamente, nos últimos cinquenta anos, andaram a criar?
Ou será que os economistas, finalmente, conseguiram: do alambique financeiro, destilaram anti-matéria?..."
Interrogo-me muitas vezes: Que raça é esta a dos economistas-comentadores, que tudo sabem do passado e do presente e que tantas certezas afirmam sobre o futuro ancorados na soberba do "conhecimento científico "?
Tantos termos técnicos, plenos de substracto - em inglês de preferência - que afinal são anti-matéria, como bem diz o Dragão.
Enquanto tudo julgavam saber, uma outra raça, a dos "gestores-alquimistas", trabalhavam como formiguinhas para a queda dos pilares financeiros e ecónomicos do mundo dito civilizado.
Aqui chegados, não aprenderam a lição de realidade. Continuam por aí a comentar, a argumentar, a condenar, a prever, irradiando e distribuindo "sabedoria" aos "pobres".
O idolatrado mercado "fez batota", entrou em espiral para um mundo virtual. Mascarou-se. Os economistas, os governantes, os governados, ocupados noutras guerras nada viram. Por incompetência, amnésia ou cegueira, a miséria expande-se diariamente.
Mas isto não interessa nada! ... Hoje é Carnaval e o povo vai para a rua, grotescamente vestido, mascarar as mágoas e "destilar no alambique" as tristezas desta vida.