Tiro-liro-liro
E juntaram-se os 3 à esquina
a tocar a concertina
a dançar o solidó!
(A propósito da brigada das Finanças no baile do medo no Palácio de Belém)
Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos, Sacode as aves que te levam o olhar. Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras. .... Sophia de Mello Breyner
Tiro-liro-liro
E juntaram-se os 3 à esquina
a tocar a concertina
a dançar o solidó!
(A propósito da brigada das Finanças no baile do medo no Palácio de Belém)
……..
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.
A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.

As ondas indo, as ondas vindo — as ondas indo e vindo sem
parar um momento.
As horas atrás das horas, por mais iguais sempre outras.
E ter de subir a encosta para a poder descer.
E ter de vencer o vento.
E ter de lutar.
Um obstáculo para cada novo passo depois de cada passo.
As complicações, os atritos para as coisas mais simples.
E o fim sempre longe, mais longe, eternamente longe.
Ah mas antes isso!
Ainda bem que o mar não cessa de ir e vir constantemente.
Ainda bem que tudo é infinitamente difícil.
Ainda bem que temos de escalar montanhas e que elas vão
sendo cada vez mais altas. Ainda bem que o vento nos oferece resistência
e o fim é infinito.
Ainda bem.
Antes isso.
50 000 vezes isso à igualdade fútil da planície.
Mário Dionísio
Cá estamos, 36 anos depois, a escalar montanhas, cada vez mais altas … antes isso!
Um segredo … Para escrever “baixinho”.
Apesar do vulcão e das cinzas nos céus e d”os meninos” em terra na Europa, o mês de Abril vai ser bom. Invocam-se por aí muitos prejuízos. Pois, cá para mim, está a ser uma oportunidade.
Aliando entusiamo, elasticidade e muito jogo de cintura, “pescámos de arrasto” em toda a Europa. Os camiões já estão a chegar. Os voos para o Brasil, África e EUA estão completamente empaturrados. Seguem-se dias muito afogueados … mas produtivos.
Foi bom estarmos longe da Islandia … aqui só para nós … os seus deuses também não tinham motivos para se vingarem em nós.
Esta malta nova não se sabe comportar. Alegam a franqueza em contraponto com a hipocrisia. Não se dominam, não aprenderam as regras básicas de convivência social. Faltou educação em casa. Faltou formação na escola. Curiosamente não são maus executantes e até aprendem rápido. Virer em harmonia em grupo é que não sabem. Os egos têm o tamanho do mundo. O querer do outro é um acessório dispensável.
Devido à impossibilidade de os juntar a todos – o trabalho por turnos impede-o – enviei um recado por email:
Caros colegas,
Alguns acontecimentos intergrupais, uns recentes, outros nem tanto, fizeram-me meditar um pouco. O que se segue pode ser demasiado básico e evidente para alguns, para outros penso que poderão ter alguma utilidade.
Podem acusar-me de moralista. À vontade! Os meus 40 anos de casa dão-me esse direito.
TRABAHAR EM GRUPO
A primeira lei do grupo é o auxílio fraterno, ao serviço da missão desse mesmo grupo. O grupo é forte e coeso quando todos aplicam os seus dons e capacidades, evitando rivalidades e intrigas.
Nada mais perigoso para a unidade de um grupo do que as críticas sistemáticas dum eterno descontente ou desconfiado. As críticas podem ser construtivas, quando cordiais, nunca quando disparadas em flecha e com azedume.
A atmosfera dum grupo em que cada elemento anda à espreita dos erros dos outros, depressa se torna irrespirável e atrofiante.
Querer elevar-se à custa dos outros, gostar de apontar as deficiências dum colega, é minar a unidade do grupo e torná-lo incapaz de realizar a sua missão.
É indispensável que cada um esteja motivado a não se deixar enredar em equívocos provenientes de desinteligências entre pessoas.
A franqueza não deve nunca ser brutal. Há pessoas mais sensíveis que outras. O trabalho em comum implica cortesia nos relacionamentos.
Numa equipa de trabalho deve fugir-se das dicussões violentas e das palavras irreparáveis, que são a marca dos que perdem o domínio de si próprios. É sempre possível o diálogo vivo sem perda de estima e respeito.
Em grupo devemos esforçarmo-nos por aperfeiçoar o nosso carácter, evitar amuos pueris, que só semeiam a divisão e a discórdia, e praticar a cordialidade, a cortesia e o bom humor.
Tudo isto porque não gostaria de ver nenhum membro da minha equipa de trabalho alvo de ostracismo generalizado.
Bom trabalho!
Este ano, a fase da avaliação do desempenho não vai ser uma mar de rosas. Vai haver “muita pedra para partir”.