segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Adamastor, o Mostrengo e o Velho de Restelo II

Tiro-liro-liro

E juntaram-se os 3 à esquina

a tocar a concertina

                   a dançar o solidó!

(A propósito da brigada das Finanças no baile do medo no Palácio de Belém)

domingo, 9 de maio de 2010

O Adamastor, O Mostrengo e o Velho do Restelo

A par da nuvem de cinzas que nos sobrevoa, e que acabou de fechar o espaço aéreo português, cá em baixo o nevoeiro avança e a tempestade não dá sinais de amainar. O Adamastor dos Lusíadas e o Mostrengo da Mensagem aliaram-se ao velho do Restelo, e aí estão, em força, impedindo o sonho, a aventura, a epopeia.

O Adamastor:
(...)
C'um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.
(...)
Aqui espero tomar, se não me engano,
De quem me descobriu suma vingança;
E não se acabará só nisto o dano
(...)
Naufrágios, perdições de toda a sorte,

Que o menor mal de todos seja a morte.

O Mostrengo:

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
….

"Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?"



O Velho do Restelo

Que novos desastres determinas
de levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
debaixo dalgum nome proeminente?
Que promessas de reinos e de minas
d' ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?"

…..
Mísera sorte, estranha condição

domingo, 25 de abril de 2010

A poesia está na luta dos homens, está nos olhos abertos para amanhã

……..

A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.

A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.

As ondas indo, as ondas vindo — as ondas indo e vindo sem
parar um momento.
As horas atrás das horas, por mais iguais sempre outras.
E ter de subir a encosta para a poder descer.
E ter de vencer o vento.
E ter de lutar.
Um obstáculo para cada novo passo depois de cada passo.
As complicações, os atritos para as coisas mais simples.
E o fim sempre longe, mais longe, eternamente longe.

Ah mas antes isso!

Ainda bem que o mar não cessa de ir e vir constantemente.
Ainda bem que tudo é infinitamente difícil.
Ainda bem que temos de escalar montanhas e que elas vão
sendo cada vez mais altas. Ainda bem que o vento nos oferece resistência
e o fim é infinito.

Ainda bem.
Antes isso.
50 000 vezes isso à igualdade fútil da planície.

Mário Dionísio

Cá estamos, 36 anos depois, a escalar montanhas, cada vez mais altas … antes isso!

sábado, 24 de abril de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

shiiiiiiiiuuu!!!

Um segredo … Para escrever “baixinho”.

        Camiões reboques usados   TAP340n.jpg

Apesar do vulcão e das cinzas nos céus e d”os  meninos” em terra na Europa, o mês de Abril vai ser bom. Invocam-se por aí muitos prejuízos. Pois, cá para mim, está a ser uma oportunidade.

Aliando entusiamo,  elasticidade e muito jogo de cintura, “pescámos de arrasto”  em toda a Europa. Os camiões já estão a chegar. Os voos para o Brasil, África e EUA estão completamente empaturrados. Seguem-se  dias muito afogueados … mas produtivos.

Foi bom estarmos longe da Islandia … aqui só para nós … os seus deuses também não tinham motivos para se vingarem em nós.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os espinhos do trabalho em equipa

Esta  malta nova não se sabe comportar. Alegam a franqueza em contraponto com a hipocrisia. Não se dominam, não aprenderam as regras básicas de convivência social. Faltou educação em casa. Faltou formação na escola. Curiosamente não são maus executantes e até aprendem rápido. Virer em harmonia em grupo é que não sabem. Os egos têm o tamanho do mundo. O querer do outro é um acessório dispensável.

Devido à impossibilidade de os juntar a todos – o trabalho por turnos impede-o – enviei um recado por email:

Caros colegas,

Alguns acontecimentos intergrupais, uns recentes, outros nem tanto, fizeram-me meditar um pouco. O que se segue pode ser demasiado básico e evidente para alguns, para outros penso que poderão ter alguma utilidade.

Podem acusar-me de moralista. À vontade! Os meus 40 anos de casa dão-me esse direito.

TRABAHAR EM GRUPO

A primeira lei do grupo é o auxílio fraterno, ao serviço da missão desse mesmo grupo. O grupo é forte e coeso quando todos aplicam os seus dons e capacidades, evitando rivalidades e intrigas.

Nada mais perigoso para a unidade de um grupo do que as críticas sistemáticas dum eterno descontente ou desconfiado. As críticas podem ser construtivas, quando cordiais, nunca quando disparadas em flecha e com azedume.

A atmosfera dum grupo em que cada elemento anda à espreita dos erros dos outros, depressa se torna irrespirável e atrofiante.

Querer elevar-se à custa dos outros, gostar de apontar as deficiências dum colega, é minar a unidade do grupo e torná-lo incapaz de realizar a sua missão.

É indispensável que cada um esteja motivado a não se deixar enredar em equívocos provenientes de desinteligências entre pessoas.

A franqueza não deve nunca ser brutal. Há pessoas mais sensíveis que outras. O trabalho em comum implica cortesia nos relacionamentos.

Numa equipa de trabalho deve fugir-se das dicussões violentas e das palavras irreparáveis, que são a marca dos que perdem o domínio de si próprios. É sempre possível o diálogo vivo sem perda de estima e respeito.

Em grupo devemos esforçarmo-nos por aperfeiçoar o nosso carácter, evitar amuos pueris, que só semeiam a divisão e a discórdia, e praticar a cordialidade, a cortesia e o bom humor.

Tudo isto porque não gostaria de ver nenhum membro da minha equipa de trabalho alvo de ostracismo generalizado.

Bom trabalho!

Este ano, a fase da avaliação do desempenho não vai ser uma mar de rosas. Vai haver “muita pedra para partir”.

domingo, 18 de abril de 2010

A natureza continua em fúria

           The volcanic ash plume from Iceland, top left, to northern France, pictured by Nasa's Terra Satellite , 17 April

            Photo: NEODAAS/University of Dundee/AP