sábado, 28 de abril de 2012

Uma angústia

Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir ...
Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Dêem-me de beber, que não tenho sede!

 
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Governo e mais uma provocação

Que falta de sentido de estado! Que falta de maturidade democrática! Primários!

sábado, 21 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Empobrecendo alegremente o país …

                           

 

 

 

 

Sacanas! Estão a rir-se de nós todos. E povo dorme.

terça-feira, 13 de março de 2012

E a brisa que não corre!

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E o nevoeiro que abafa

O cerco

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aperta os dias

segunda-feira, 12 de março de 2012

Testemunho

“Noite excitante aquela. Os cavalos chegaram cerca das 22h00. Olhar inteligente, elegantes e altivos. Fora do seu ambiente, olhavam em redor, inquietos. Os tratadores à sua volta tocavam-lhes, ainda era cedo para os calmantes. Já dentro das baias beberam água e comeram ração.

Um deles, o mais rebelde, assustou-se com um ruído inesperado. Tive medo. Nunca tinha visto um cavalo zangado. Uma autêntica fera. Os tratadores aproximaram-se com o receio estampado na cara. Rodearam-no. O veterinário injetou-o. Colocou-se a hipótese de não voar.

O cliente angolano lá fora, no conforto do ar condicionado do automóvel aquecido.

Esperámos … olhar desconfiado e pronto a reagir ao desconhecido. Ainda não estava pronto. Mais um calmante. Era preciso esperar pelo efeito. O voo iria atrasar. O slot já perdido. A noite estava fria. Os voluntários da equipa da TAP Carga preparavam-se para uma direta. Estávamos dependentes dos humores  deste “passageiro” assustado.

Os colegas da Groundforce não arredavam pé. Aprenderam a movimentar-se silenciosamente. As precintas e as redes tinham que ser colocadas sem ruído e muito lentamente. Qualquer gesto imprevidente poderia ser fatal.

O profissionalismo dos acompanhantes foi de exceção. Uma equipa perfeita.

A tripulação turca esperou pacientemente e curiosa, sem reclamações. Só exigiu, bem como os acompanhantes, um reforço das refeições. A fome apertava. Foram muitas horas à espera da acalmia.

Eram 09h00 da manhã. Os cavalos finalmente a bordo … fomos dormir, depois de uma noite cheia de emoções, mas ainda angustiados. Será que o voo seria calmo, sem turbulência? Sem poços de ar?  O rebelde zangar-se-ia de novo?

Esperámos ansiosamente por notícias. Quando finalmente vieram, respirámos de alívio. O voo fora perfeito. A aterragem em Luanda suave e o descarregamento ocorreu sem incidentes.

Noite plena de adrenalina. Inesquecível.”

Contribuição pessoal para ajudar os publicitários no processo criativo da campanha “ De braços abertos”.