sábado, 27 de fevereiro de 2010

O louco que a justiça soltou - Helena Garrido

Triste o país que desvaloriza os seus sucessos e se alimenta dos seus fracassos. Que se delicia a escutar e a espreitar a sua caminhada para o caos social e político, na ilusão de que está a fazer justiça e enquanto vai empobrecendo. Portugal está assim, como um louco a destruir tudo à sua volta.
Não ficará pedra sobre pedra em nenhuma instituição, é o que parece termos prometido a nós próprios. Governo, Tribunais, Banco de Portugal... Partidos e tribunais, políticos e juízes, governantes e opositores, empresas e gestores, jornalistas... O louco que se soltou no País esmaga, deliciado, a credibilidade de tudo e todos sem que encontre pela frente alguém que lhe faça frente.
Tudo parece desaguar no vazio que se foi gerando na Justiça. Porque a justiça não funciona - ou não funciona como cada um acha que deve funcionar -, façamos então justiça pelas nossas próprias mãos.
E no meio da maior crise económica e financeira desde a Segunda Guerra Mundial, discutimos escutas que quem tinha a obrigação de manter longe dos ouvidos de todos colocou na praça pública. A intenção de quem o fez, desconhecemo-la. Para nós, simples cidadãos, está criada a ilusão de que assim fazemos a justiça que a Justiça não faz.
Sim, estamos todos fartos de ver figuras públicas indiciadas sem que a mão da Justiça chegue até elas. No futebol, na política, nas empresas... E se nós, que assistimos de longe a esse espectáculo, estamos cansados e desalentados, como estarão aqueles que têm como trabalho investigar, acusar e fazer justiça? Revoltados? É a revolta que explica ter-se caído na tentação de fazer justiça com o que se tem à mão, o "You Tube" ou os jornais? Compreende-se mas não se pode apoiar.
O mau funcionamento da Justiça gerou justiceiros que, apoiados em cumplicidades variadas e inteligentes manipulações do sistema, condenam com trânsito em julgado, e sem direito de defesa ou resposta, todos quantos caiam numa escuta.
Todos queremos e temos o direito de saber. Mais informação é sempre melhor que menos informação. Mas cada condenado na praça pública que vai caindo é mais uma estrutura que se destrói na construção da nossa sociedade. Lentamente, com mesquinhas vinganças diárias que pensamos ser justiça, caminhamos para a nossa autodestruição.
Hoje satisfaz-nos ver apedrejar no espaço público quem julgamos saber que violou leis fundamentais. Amanhã, quando as pedras caírem por todo o lado, e a todos acertarem, clamaremos pela Justiça que julga com provas. E nessa altura, se não mesmo já, neste momento, a Justiça já estará totalmente destruída.
Contrariar o caminho que estamos a seguir parece quase impossível. O sistema parece estar em dinâmica autodestrutiva. É no interior da Justiça que está o motor dessa autodestruição. Estamos a assistir à reacção da Justiça contra a sua própria incapacidade de fazer Justiça.
O louco que a Justiça soltou tem a força e o ânimo para nos empurrar violentamente para fronteiras mais negras que a actual mais grave crise económica e financeira das últimas seis décadas.
Quem nos poderá salvar do louco que se soltou? Apenas a Justiça o poderá prender.

helenagarrido@negocios.pt

Este artigo vai ficar para a história destes dias negros.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Madeira

     

 

Coragem, compatriotas!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Da traição

        

O ódio inspira a eloquência da traição

Autor: Castelo Branco (do citador)

(A propósito de um Santos, que não era santo e que a“í “ está  para provar que  afinal “Roma paga a traidores”)

 

 

Adenda: O Google é fantástico. Com que então efeito Diana Mantra ? Fico à espera do livro "Diana Mantrite aguda"

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ó Sol !

Photo: Loop on the sun

- Ó Sol ! ó Sol ! Titã deste bloco da Terra !

Ó Sol em sangue  que ainda pula arde e cintila !

Ó bala de canhão, tu vens dalguma guerra :

Varaste os corações dum exército em fila !

- Adeus ó Sol ! Chegou a Noite na fragata.

À tua porta os Marinheiros vão bater :

Lá vejo os astros pôr seus cálices de prata,

Na Taverna do Ocaso, a beber, a beber …

Só – António Nobre

 

Seja o que Deus quiser! … mas receio que o que vai ser é o que os banqueiros quiserem!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

David Mourão Ferreira - Grinalda para para o próximo terramoto de Lisboa - 1955 – Metáfora para os dias de hoje.

Ao Urbano Tavares Rodrigues

1 -

Vai deslizando a cidade

(cai a tarde)

entre duas noites gémeas,

tão eternas! Tão efémeras!

- como um corpo fatigado

(cai a tarde),

um corpo por entre dois

negros lençóis ...

Noite do céu, aconchega

bem o rosto da cidade!

Noite do céu, que tristeza

nos invade?

Noite do céu, nem na dobra

de luar do teu lençol

(ah! Que saudades do Sol!)

tamanha angústia soçobra. 

Mas, insones, esquecemos

a noite que espezinhamos,

remadores olhando os ramos

das altas árvores da margem,

só atentos à paisagem,

sem ver o lodo nos remos

nem os pegos

- olhos negros

das águas que espedaçamos! 

No desprezo a que o votamos,

range o lençol esquecido.

Ai de nós, que mal cuidamos

do perigo!

Noite funda das entranhas

intranquilas!

Noite funda das entranhas,

que venenos tu destilas!

E na tetas das colinas,

para nós, que leite ordenhas? 

Eis que num primeiro andar,

quase a boiar sobre o Tejo,

a um papagaio empalhado

e a um milhafre pintado

num azulejo

lhes tremem, súbito as asas;

e antes que tremam as casas

buscam, aflitos, o ar. 

Vem, ó Anjo tutelar

da luminosa, leviana,

mística, fútil, profana

cidade dos terramotos,

- vem, ó Anjo Jugular,

o terror dos próprios mortos! 

2 - 

Salta o esgoto,

cai o muro,

morre o porco

no monturo;

e no porto

o sussuro

dos navios

enche o escuro;

ardem corpos,

ardem blocos,

cresce o rio;

sobre os puros

e os impuros,

tomba o frio

prematuro

do futuro;

grasna o corvo

que assistiu

a um outro

terramoto.

Terramoto,

te esconjuro! 

Só um coro

dentre o sismo

se ergue ao Todo

poderoso.

Só um coro,

dentre o cismo;

só um coro;

são os cisnes,

são os cisnes ...

Hino? Prece?

Nem o ‘strondo

destes troncos

o emudece.

Grito vão,

sem remorso

nem perdão,

sobre o dorso

deste mundo

inseguro ...

Terramoto!

Terramoto,

te esconjuro! 

3 – 

Impropérios e morte exclama o vento,

o vindo das entranhas que arrebata

dos prédios a raíz fasciculada

e distribui aos ventos o cimento

em pólen transformado. Oh! Que sangrento

o vinho que se espalha e sobrenada

à flor da confusão alucinada

destes corpos em cacho! – Turbulento, 

avança pelas ruas já o rio ...

Sobre um resto de fé – magro pedículo!

- o medo é um cogumelo fugidio ... 

Mas é tarde de mais! Gritam os ventos,

ante o súbito, sórdido, ridículo

coro dos excelentes sentimentos! 

Por entre as trevas, sobre os escombros,

vamo-nos vendo, e encontrando

a própria voz. Que reencontros!

Que mãos silentes sobre os ombros!

Desse milhão e tal que fomos,

Quantos restamos? E até quando

a própria voz, sobre os escombros,

noutros iremos encontrando? 

Ah! Foi precisa esta agonia

para afinal apercebermos

que tudo quanto dividia

as nossas vozes poderia

harmonizar-se em litania

aos moribundos e aos enfermos ...:

- que só na última agonia

irmãos e unânimes seremos! 

Em sintonia com o Besugo, e com o autor do poema acima, sinto  saudades do Sol, mas daquele  “ que alumia e acalenta”, como conta o Besugo e não daquele  que está transformado em “noite funda das entranhas” e que “destila venenos” enquanto “ordenha leite, para nós”  bebermos, incautos, parafraseando David Mourão Ferreira.

Sem lei nem roque

A comunicação social, aliada com os justiceiros calhandras, parciais e de “buraco de fechadura”, continua incansavelmente  a fazer um cerco a José Sócrates. O caminho é o assassinato de caracter. Massacram-nos com a descrição de escutas criteriosamente evidenciadas e retiradas do contexto. São de terceiras pessoas. Isso não interessa nada. Falaram. Está escrito no jornal. È verdade! Será? Pidesco é, de certeza!

O direito à privacidade espezinhado.

O direito à liberdade de imprensa usado alarvemente, sem ética e irresponsavelmente, ao serviço de interesses esconsos.

O direito à liberdade de expressão ao serviço da calúnia, sem respeito pelo outro, como ser humano com direito à dignidade.

A  publicação do Sol sem respeito pelo Estado de Direito, em nome da  bisbilhotice mais miserável.

A guerra das audiências ao rubro. Os interesses económicos travam-na por detrás da cena. Cobardes, nao assumem o palco.

Pelas sondagens já perceberam que não vencem o PS. A alternativa é dividi-lo. Forçá-lo a demitir Sócrates. A estratégia está montada. Esta meia vitória e calar-se-iam. Como se calaram com a demissão de Correia de Campos e até com o afastamento de Ferro Rodrigues.

Até quando o pantâno? Guterres pressenti-o e não resistiu. Sócrates está a resistir. Até quando?

Os tempos vão difíceis, Precisavamos todos que ele tivesse tempo para governar, com a cabeça limpa de tanta “merda”.

Nunca se viu nada assim!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Cavalos prontos a voar

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cavalos 7

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Um dos dias  mais excitantes da minha vida profissional – uma directa  de 24 horas sem interrupção - fica assim registado.

Eram para ser 12, mas as éguas estavam grávidas. Devido ao stress não foram autorizadas a voar pelas autoridades veterinárias.  Estes 6 Lusitanos terão que ficar à espera das parceiras, lá, no Centro Hípico de Luanda.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Madeira e o Jardim

TC questiona “borlas” a terminais portuários da Madeira

O Tribunal de Contas (TC) já tornou públicos os resultados de uma auditoria à gestão da Associação dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM) iniciada no ano passado, e concluiu que o modelo de negócio concebido pela Região para esta entidade lesa os interesses públicos. O modelo adoptado, critica o TC, contribui para uma descapitalização da sociedade anónima que a Região constituiu, e a quem responsabilizou pela gestão das infra-estruturas e o domínio portuário regional.
Entre as situações abordadas, conta-se a utilização do Terminal Norte do Porto do Funchal por parte da Sociedade ...

Revista Transportes e Negócios

É assim, passo a passo, milhão a milhão, que os continentais, também chamados de cubanos, vão contribuindo para os desmandos do senhor da Madeira.

Bravo BE e PC! Bravo CDS e PSD! 

Bom Carnaval!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Cativo? Duvido. Sócrates e os limites da resistência humana

                                Captive" (2008). Lyman-Eyer Gallery, Provincetown (MA, USA).

Acredito que quanto mais o acossarem, mais defensores – está mais em moda assessores ou vendidos – terá a seu lado, gratuita e generosamente.

Se o querem vencer, esta é a estratégia errada. Já poucos são os ingénios que acreditam nos justiceiros da nossa praça.

Eu não acredito.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Hoje Crespo na TV

Um sonso. Falso. Hipócrita.

Quando escreve a pena é colérica. Quando fala a palavra é mansa.

A lentidão exagerada com que pronuncia as palavras. A brandura da face, o sorriso educado e o gesto contido escondem, às vezes mal, uma fera pronta a atacar a presa. A sua prosa, de má qualidade, prova-o.

E os socialistas que se sentam a seu lado estão ceguinhos? Ainda não perceberam que estão a ser usados como troféus.

… ou perceberam? E o caso é grave.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Liberdade de expressão. Um problema resolvido? ou apenas o lançamento de um livro num país que perdeu o tino.

O jornalista da SIC Mário Crespo afirmou hoje que "começa a haver demasiados 'problemas' resolvidos em Portugal", referindo-se a jornalistas que terão sido afastados de órgãos de comunicação social por serem vozes incómodas para o Governo.

O jornalista afirma ter, ontem de manhã, contactado Zita Seabra (da editora Altheia), para publicar um livro em que essa crónica será um "elemento determinante". O livro é lançado já na quinta-feira, com prefácio de Medina Carreira.

Liberdade de expressão em causa? De imediato denunciada por toda a CS e blogofera com a publicação do objecto de censura, como seria previsível.

Num país onde ontem se decide publicar um livro e 5 depois é  lançado no mercado? E anda há quem assegure que a produtividade anda pelas ruas de amargura.

História mal contada ou fabricada pelos criativos que por aí pululam, especialistas na gestação de conflitos desnecessários? O PM virou burro ou bebeu uma pinguita a mais? Ou está tudo grosso!

Ai Agostinho!
Ai Agostinha!
Que rico vinho
Mais uma pinguinha
Este país é um colosso
Está tudo grosso!
Está tudo grosso!

Ai Agostinho!
Ai Agostinha!
Que rico vinho
Mais uma pinguinha
Este país perdeu o tino
A armar ao fino!
A armar ao fino!

Isto é que vai uma crise
Isto é que vai uma crise
Isto é que vai uma crise

Ai! Ivone Silva, que falta fazes! Por onde andam os humoristas de Portugal? Isto é que vai uma crise!